Você tem um chefe ruim ou um chefe diferente?

Luciano tem uma formação bem heterogênea, tendo estudado temas de linguagem à tecnologia da informação. Já trabalhou como Head of Sales na Google e hoje é Diretor de Vendas no Facebook. Luciano se destaca em redes sociais, como o LinkedIn escrevendo sobre temas relacionados ao trabalho, levando as pessoas a refletirem sobre situações do dia-a-dia dentro das organizações.

É com bastante alegria que recebemos um de seus posts de forma inédita para ser publicado na nossa central de artigos.

linkedin.com/in/lucianoresponde 

 

Mudar é dolorido. E quando dói com alguém do lado cutucando, sempre vamos colocar a culpa nessa pessoa.

 

No artigo anterior nós vimos que 60% das pessoas dizem que são infelizes no ambiente de trabalho. Quando perguntei qual era o motivo principal, a maioria esmagadora teve a mesma resposta: o meu chefe.

É triste ver que uma figura tão importante na nossa vida profissional ser o principal motivo da insatisfação no trabalho. Todos nós já escutamos – e vivemos – histórias horrorosas sobre chefes mal preparados que gritam, assediam moralmente, são contraditórios no dia a dia e não deixam qualquer canal de comunicação aberto ou possibilidade de dar ou receber feedback.

Já virou quase ditado popular a frase que “as pessoas não deixam uma empresa, deixam um chefe ruim“, há diversas pesquisas sobre com números chocantes mostrando que isso é, sim, bem verdade.

Contudo, quero trazer a tona uma questão/pergunta que tenho observado muito no trabalho de mentoria e coaching que tenho feito nesse último ano:

Você tem um chefe ruim ou um chefe diferente?

Há uma diferença enorme entre um e outro. O chefe ruim já foi bem descrito acima com o seu comportamento torto e péssimos hábitos.

Agora vem o que chamo de chefe diferente: ele é apenas diferente do que estamos acostumados em hábitos e comportamento e isso pode ser confundido como algo ruim, mas não é.

Isso geralmente acontece quando há uma mudança de liderança e, com ela, um chefe novo com sua personalidade e maneira de trabalhar diferentes. Eu me sinto em uma posição privilegiada para falar sobre isso, no meu último emprego tive diversos líderes e cada um deles com sua maneira “diferente” de trabalhar.

Eu tive uma chefe Colombiana que era bem exigente e detalhista, tive um Americano que era extremamente formal no vestir e no falar, tive uma Indiana que me fez pensar em produtividade num outro patamar, um chefe Francês que era muito preocupado com a comunicação com toda a liderança, tive um Brasileiro que era obcecado por crescimento e por fim um Coreano que delegava absolutamente tudo para me ensinar como se fazia na pratica.

Eu aprendi demais com todos, cada experiência com eles valeria um extenso artigo aqui.

Contudo, toda mudança de chefe que tive, a cada 1 ou 2 anos, foi preciso recomeçar quase do zero. Em muitos momentos eu tive a sensação de que eles eram “ruins”, mas com o tempo eu fui percebendo que eram apenas diferentes uns dos outros, só que essa rotatividade toda pegava bem em um nervo inflamado que todos temos: mudança.

Mudar é dolorido. E quando dói com alguém do lado cutucando, sempre vamos colocar a culpa nessa pessoa. Pior ainda quando ele é nosso chefe. Como assim ele está vendo que está doendo aqui e não faz nada? O “outro” fazia um curativo na hora!

Só que cada um vai fazer isso de maneira diferente, e alguns não vão fazer nada porque acham que a dor é parte do processo. É estilo, não há certo ou errado.

Se você achar que está nessa situação, tente se fazer as seguintes perguntas:

  • Tive tempo para avaliar quem ele realmente é, seu estilo?
  • O julgamento que estou fazendo dele é meu ou é emprestado (fofocas, conversa de corredor, etc) de outras pessoas?
  • Será que a atitude dele é realmente ruim ou apenas diferente do que estou acostumado?
  • O que eu posso aprender com ele?

Essas perguntas podem ajudar a tirar a nossa mente de um modo de julgamento brutal, que estará altamente influenciado pelas dificuldades que a mudança nos traz. É como dar aquela respirada profunda para encher o cérebro de oxigênio e pensar um pouco sobre toda a questão.

Por fim, deixo e última dica de ouro que me serviu muito depois de ter trocado de gerente por 2 ou 3 vezes: marque uma primeira conversa e pergunte como ele gosta de trabalhar. Eu adotei essa prática e foi uma das melhores coisa que eu já fiz. Essa é uma pergunta poderosa que mostra nossa abertura a trabalhar com o diferente e nos adaptar, e também irá incentivar o nosso novo chefe a fazer o mesmo com a gente.

Até o próximo chefe novo.

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