História, Desafios e Realidade da Educação de Surdos no Brasil

 

Natalia Polgrymas Gers – Estudante de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e consultora de marketing da área de comunicação na Psico PUC Jr

 

 

 

23/04 – Dia nacional da educação de surdos.

Na sexta-feira dia 23 de abril é o dia nacional da educação de surdos. O que é a surdez? A surdez é definida por um problema na estrutura que compõe a orelha em que as informações sonoras não chegam adequadamente no cérebro para o processamento. Uma pessoa com surdez, diferente de alguém com uma perda auditiva, tem uma ausência total da audição e a segunda uma perda parcial ou dificuldade de identificar sons. Para além de uma característica fisiológica da surdez, este artigo trará pontos importantes para compreender em parte a vida de quem vive essa realidade no Brasil.

● Surdez e fisiologia

Retomando uma visão mais biológica, para compreender a audição, podemos visualizar a estrutura da orelha em três importantes partes. Primeiramente a orelha externa, parte em que vemos sua estrutura por fora; ouvido médio formado pelo tímpano e pelos três ossos; ouvido interno, importante para formação de impulsos nervosos que vão diretamente até o cérebro. A dificuldade de escutar pode surgir a partir de problemas nestas áreas auditivas, podendo levar a situações temporárias, como o acúmulo de cera por exemplo e situações permanentes como uma perda neurossensorial, uma vez que o problema no nervo auditivo é mais delicado.

Dependendo do grau e da estrutura afetada, alguns sintomas são importantes para o diagnóstico. Dificuldades como, entender palavras em um ambiente com ruídos, pedir para alguém repetir algo com a voz mais elevada, evitar conversas com outros e elevar o volume dos aparelhos são alguns deles.

● Fatores de risco e sintomas

Muitos podem ser fatores de risco importantes para a surdez, alguns deles são: ambientes em que o barulho é alto a ponto de danificar tais estruturas; hereditariedade; uso de alguns medicamentos; algumas doenças que atinjam estruturas do ouvido. Para diagnosticar a surdez, testes como a diapasão e testes de audiometria são utilizados. O primeiro feito por um médico para detectar o grau e em que área o ouvido foi danificado, o segundo feito a partir da emissão de sons e palavras focadas individualmente em cada ouvido.

● História e educação

Atualmente no Brasil, de acordo com os dados do IBGE, em torno de 9 milhões de brasileiros têm deficiência auditiva, sendo 344,2 mil pessoas surdas. Em 2002 fora oficializada a lei 10.436, em que a Linguagem Brasileira de Sinais se institui, além de dar importância à presença dos intérpretes dessa língua em várias instituições. Embora a lei seja um marco importante, não acolheu o problema na sua totalidade. Para pensar essa realidade, é necessário relembrar parte da história para compreender a situação.

Desde muito tempo, pessoas surdas eram excluídas pela sociedade, vistas como uma população que não tinham a capacidade de pensar, o que levava a privação à educação, não podiam casar nem receber herança e na visão da igreja não eram dignos de salvação por não poderem falar de seus pecados. Difícil foi o caminho para se enxergar tal vivência. Depois de muitos anos, criou-se no século XVII escolas para surdos na Europa. No Brasil o primeiro instituto foi criado apenas em 1857 no Rio de Janeiro, hoje conhecido como INES, Instituto Nacional de Educação de Surdos. A partir desta fundação, três formas de ensino foram importantes nacionalmente:

  • Oralismo – técnica que buscava trazer a fala para as pessoas surdas. Era proibido a linguagem de sinais que já existia nas escolas. Foi uma forma marcada por uma violência simbólica importante. Muitos surdos a partir dessa metodologia acabavam analfabetos.
  • Comunicação total – a partir do oralismo, como técnica complementar, eram utilizados gestos, mímicas e leitura labial para resgatar a comunicação das pessoas surdas. Essa combinação dificultou o processo de aprendizagem, uma vez que a junção de dois tipos de comunicação não era efetiva.
  • Bilinguismo – diferente dos métodos anteriores, este acolhe e promove a educação por meio da linguagem brasileira de sinais (libras) juntamente com a escrita da língua portuguesa.

● Escolas e ambiente de trabalho
Pensando no contexto da educação, ainda são visíveis dificuldades, mesmo com o avanço das metodologias de ensino. Embora existam leis que trazem a importância da inclusão de surdos na vida cotidiana, como um intérprete nas escolas e demais instituições, não é uma realidade. No Brasil, existem regiões que não possuem tradutor, por exemplo, não é uma medida que traz uma abrangência nacional. Em 2005, criou-se outra lei para educação de surdos. A Lei 5.626 institui o ensino de Libras para os professores de nível superior, médio ou magistério, porém nem todos os profissionais realizam o curso ou não têm acesso, uma vez que não são todas as instituições que têm essa disponibilidade.

Ligado à situação da educação, podemos relacionar diretamente à questão do trabalho. Apenas 80 mil, de 344,2 mil pessoas que têm algum nível de surdez trabalham com carteira assinada. Esse número, considerado um número de baixa contratação, envolve uma questão maior ligado diretamente à sociedade, um problema na educação básica, uma vez que crianças e adolescentes surdos não recebem o devido acolhimento e educação. A dificuldade de prática dessas leis, a falha em muitas escolas na educação inclusiva e o preconceito presente socialmente é reflexo dessa realidade.

A partir desses dados, é importante ter um olhar crítico para a realidade das pessoas surdas, compreender seus impasses e dificuldades na esfera social e respeitá-las. Com isso, é importante também a pesquisa sobre o tema, além de se aprofundar e buscar compreender a experiência de quem vive nesse espaço no Brasil.

 

 

Referências:

Surdez: O que é, causas, sintomas e tratamentos


https://www.uninassau.edu.br/noticias/educacao-de-surdos-entenda-os-desafios-no-brasil

Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

1 comentário em “História, Desafios e Realidade da Educação de Surdos no Brasil”

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