OBM – Organizational Behavior Management – O Futuro da Gestão de Pessoas

Artigo por Candido V. B. B. Pessôa, Gabriel Dargas e Pedro Menna Barreto

 Filiação: Centro Paradigma de Análise do Comportamento

O intuito deste texto é introduzir ao leitor o tema da Gestão do Comportamento em Organizações, conhecido internacionalmente por Organizational Behavior Management (OBM). A OBM é a aplicação da Análise Experimental do Comportamento na gestão de organizações. Para completar o tripé aplicação, ciência e filosofia, a OBM tem como interlocução filosófica o Behaviorismo Radical do psicólogo americano B. F. Skinner. Em resumo, a OBM é uma das aplicações da Análise do Comportamento ao desenvolvimento humano.

A OBM tem três grandes campos de atuação

Indo direto ao ponto, a OBM tem três grandes campos de atuação, a gestão de desempenho, o desenvolvimento de estratégias para organizações e a segurança baseada em comportamento. Os três campos têm objetivos diversos – melhora no desempenho dos colaboradores de uma organização, preparação e acompanhamento de gestão estratégica de negócios e prevenção de acidentes de trabalho, respectivamente – mas têm um ponto em comum, a visão do que é comportamento e o como se atuar sobre ele.

Business is Behavior

Usando como referência um título de capítulo de Daniels e Bailey (2014), Business is Behavior, é comum definir o sucesso de uma organização pelos resultados que ela produz. Uma empresa deve produzir lucro para sobreviver no longo prazo, uma ONG deve produzir benefícios sociais, uma escola deve produzir bons alunos e assim por diante. Mas como esses resultados são produzidos? Em última instância, sempre por comportamentos. Esses podem ocorrer diariamente, como no caso de aulas para os alunos ou de manutenção de uma máquina. Podem também ser estratégicos, como na decisão pela compra de um determinado equipamento ou pela abertura de uma determinada filial. Mas são sempre comportamentos, ações realizadas no chão da fábrica ou em reunião de diretoria, o que produz os resultados definidores do sucesso de um empreendimento. Para se produzir bons resultados deve-se, portanto, entender de comportamento.
Uma das dificuldades do estudioso do comportamento é que comportamento é um assunto sobre o qual todos têm uma opinião (Skinner, 1974). Mas são poucas as pessoas que estudam o comportamento cientificamente. E é isso que o analista do comportamento faz. Ele estuda as regularidades na forma como as pessoas se comportam, também chamadas de leis do comportamento. É sobre a aplicação dessas leis ao comportamento em organizações que a OBM prioritariamente trata. Identificar claramente os comportamentos necessários à produção de resultados de excelência em um negócio, antecipar os resultados de políticas de trabalho e formas de gestão, propor estratégias de gerenciamento e verificar a efetividade dessas estratégias são as tarefas do profissional de OBM. Todo gestor em empresas, nos mais diversos níveis de gestão, tem essas responsabilidades. O analista do comportamento usa a ciência para auxiliar esse gestor cumpri-las.

Uma forma nova de gerir pessoas

A aplicação das leis da ciência do comportamento na gestão organizacional é de certa forma nova. Há quem trace seu início à década de 1960 ou um pouco antes (Aldis, 1961). Talvez, isso se deva ao pouco tempo que o próprio estudo científico do comportamento tem e às controvérsias geradas pelos embates de leigos e defensores de que o comportamento humano é alheio à compreensão científica. Se o reconhecimento das vantagens de se ter um analista do comportamento por perto é recente no mundo, como se vê na apenas recente propagação da posição de Chief Behavioral Officer pelas empresas, no Brasil isso não é exceção. Haja visto que a abertura do primeiro Mestrado Profissional em Análise do Comportamento Aplicada em nosso país não completou nem cinco anos ainda. Mas, essa situação deve mudar rápido. Espero ajudar o leitor a fazer parte dessa mudança.

Até a próxima oportunidade!

Referências:

Audis, O. (1961). Of pigeons and men. Harvard Business Review, 39, 297-300.

Daniels, A. C. & Bailey, J. S. (2014). Performance Management: changing behavior that drives organizational effectiveness. Atlanta, GA: Aubrey Daniels International Inc.

Skinner, B. F. (1974). About Behaviorism. Nova York, NY: Alfred A. Knopf, Inc.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *